Horário de verão traz, mesmo, economia para você?

O governo estuda extinguir o horário de verão da rotina dos brasileiros. Mas, afinal de contas, será que ele é realmente nos ajuda a economizar energia?

Eis que vem se aproximando novamente a estação mais quente do ano, e, com ela, o polêmico horário de verão. Ano após ano, questionamentos são levantados a respeito da real economia de energia para o país — aliás, se ocorre, mesmo, algum tipo de economia, principalmente em seu bolso.

Bom, para você entender um pouco mais sobre o assunto, neste post, vamos fazer uma análise sobre o consumo de energia nesse período para avaliar se ele realmente vem sendo útil para os brasileiros. O governo, inclusive, já estuda acabar com a medida.

O consumo de energia no horário de verão

Eis o fato: a economia de energia durante o horário de verão já não é mais a mesma. De acordo com dados do Ministério das Minas e Energia, divulgados pelo portal de notícias G1, de 2013 a 2016, essa economia caiu de R$ 405 milhões para R$ 159,5 milhões — uma queda de 60,6%.

Em contrapartida, o consumo de energia elétrica aumentou em 2017, de acordo com dados do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) do Ministério das Minas e Energia. O crescimento foi de 0,8%, e a projeção é que, de 2018 a 2022, o aumento médio seja de 3,9%.

Então, se a economia no horário de verão vem se reduzindo bruscamente, mas o aumento do consumo está crescendo, eis uma conta que não fecha, não é mesmo?

Com a maior demanda pela eletricidade, o governo utiliza mais as usinas hidrelétricas, reduzindo as reservas de água, e, ainda, aciona as termelétricas para dar conta da demanda — e quem paga a conta é o consumidor por meio das conhecidas bandeiras tarifárias.

Mas, de fato, o que vem acontecendo no país para que essa economia no horário de verão já não seja mais tão expressiva? Entre outros fatores, a resposta está nas mudanças na sociedade.

O perfil do consumo de energia elétrica dos brasileiros vem reduzindo a eficácia do horário do verão. Os quatro meses em que esse horário dura, a economia vem sendo de apenas 0,5% de todo o consumo de eletricidade do país – e isso tem uma explicação.

No passado não tão distante assim, os brasileiros, de um modo geral, tinham um horário de trabalho tradicional, ou seja, chegavam em casa no início da noite — o que representava um dos picos de consumo, pois era o momento de se ligar aparelhos elétricos, eletrônicos e os chuveiros.

Mas, hoje, a sociedade vem mudando e, com ela, as formas de trabalho. Se antes existiam picos de consumo no horário noturno, hoje, eles reduziram, aumentando o consumo dos aparelhos também durante o dia (ainda mais durante o verão) — e isso não só nas empresas, mas, também, nas residências, local de trabalho de muitos brasileiros em home office. Já existem picos registrados durante a tarde, por exemplo.

E cá entre nós: se, por um lado, o país continua economizando (mesmo que bem menos), por outro, será que você economiza? Se você desliga a função “inverno” do chuveiro, também liga mais o ar-condicionado e os ventiladores da casa, não é mesmo? Faças as contas.

Governo estuda acabar com o horário de verão

Desde 2017 tramita uma proposta para a extinção definitiva do horário de verão no Brasil. Trata-se da PLS 438/2017 do senador Airton Sandoval (MDB-SP), relatada pelo senador Valdir Raupp (MDB-RO).

A justificativa do senador não está em relação ao debate sobre a economia de energia nesse período, mas, sim, sobre as consequências do horário de verão para a saúde dos brasileiros.

No texto ele cita vários estudos realizados em diferentes países que ligam o horário de verão ao desenvolvimento de doenças e problemas de saúde — como a hipertensão, o agravamento do diabetes tipo 2 e o aumento dos infartos.

O texto afirma, ainda, que, de acordo com estudos sobre o tema, durante o horário de verão, o Sistema Único de Saúde (SUS) sofre um aumento de cerca de R$ 492 milhões em despesas com atendimento a doenças agravadas durante esse período. O senador relata, ainda, problemas com aprendizagem, memória e outras consequências vindas da privação de 1 hora de sono na saúde de crianças, jovens, adultos e idosos.

O projeto está em fase de análise pelas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), sendo que a esta última cabe a decisão sobre o projeto.

E então, concorda que o horário de verão deve ser extinto? Você consegue, de alguma forma, economizar?

Para complementar esse assunto, listamos algumas medidas que o governo (e todos nós) podemos fazer para, de fato, economizarmos nessa e em todas as demais estações do ano: leia o artigo e deixe o seu comentário. Até a próxima!

Carlos Bouhid
Diretor Administrativo da Dusol Engenharia Sustentável.

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