O que é preciso para criar uma construção sustentável?

E a importância de nos atentarmos para o tema! Você já parou para pensar na importância que a construção civil possui atualmente na economia brasileira? Ela representa milhões de empregos e parcela significativa do PIB do país. Mas estes não são os únicos índices que se destacam. O setor é responsável pelo consumo de até 75% da matéria-prima do […]

E a importância de nos atentarmos para o tema!

Você já parou para pensar na importância que a construção civil possui atualmente na economia brasileira? Ela representa milhões de empregos e parcela significativa do PIB do país. Mas estes não são os únicos índices que se destacam. O setor é responsável pelo consumo de até 75% da matéria-prima do planeta e de 3,5 milhões de toneladas de entulho por ano no mundo, de acordo com o professor Vahan Agopyan, da USP, além de gerar um alto consumo de energia e água.

Com dados alarmantes e um setor tão importante para o país e para o mundo, é fundamental repensar modelos de construção que levem em conta práticas de sustentabilidade como, por exemplo, o emprego de energia alternativa, a gestão de resíduos e do uso da água.

 

O que é uma construção sustentável?

A construção sustentável tem como objetivo causar o mínimo impacto ao meio ambiente durante todos os processos – antes, durante e depois. O conceito foi desenvolvido na década de 70, tendo como pano de fundo a Crise do Petróleo, quando o custo da produção de energia passou a ficar muito elevado em países de matriz energética proveniente da queima de combustíveis fósseis.

Assim, o conceito nasceu limitado à eficiência energética. Ainda nesta década aconteceu a Conferência de Estocolmo, a primeira de muitas outras reuniões com chefes de Estado, organizada pelas Nações Unidas para discutir a degradação ambiental e os impactos das atividades humanas.

Atualmente, a sustentabilidade é pregada pelos quatro cantos. Mas você sabe quando ela passou a ser amplamente utilizada? Na Rio 92 o conceito de sustentabilidade foi expandido com base no documento Nosso Futuro Comum ou Relatório de Brundtland de 1987, e a partir daí a construção sustentável passou a ser mais conhecida. Dois marcos marcaram este movimento: a Convenção Internacional sobre Construção Sustentável em Helsinki e criação da primeira entidade de certificação de prédios sustentáveis, a BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method).

 

Construção sustentável X Construção ecológica

As duas definições significam a mesma coisa? Não. Embora ambos os termos pretendam desenvolver modelos de construção com a diminuição e até mesmo zero impacto ambiental, há uma diferença básica entre elas. A construção sustentável busca reduzir os impactos com técnicas e tecnologias modernas e mais sustentáveis, enquanto a ecológica requer o uso de materiais disponíveis no próprio local como forma de causar o menor impacto possível. Os exemplos mais característicos de construção ecológica são as casas de povos tradicionais – os iglus dos esquimós e as ocas dos indígenas brasileiros.

 

O que uma construção precisa para ser sustentável?

Para ser considerada uma construção sustentável, todo o processo, durante a fase pré-obra, deve levar em consideração o planejamento sustentável, definindo como se dará o aproveitamento dos recursos naturais e o uso racional dos materiais, a gestão da água e dos resíduos, a eficiência energética levando em consideração o conforto térmico e o melhor aproveitamento da iluminação solar, também no período pós-obra.

 

1. Gestão da água

O gasto de água durante a construção não é apenas relacionado ao uso humano. A água também é empregada como matéria-prima para a produção do material de construção, como concreto e argamassa e na implantação de aterros, e, por isso, é de mais difícil percepção para o público comum, afinal compramos o material pronto e não acompanhamos o processo de produção desses materiais. Para se ter uma ideia, na produção de um metro cúbico de concreto é utilizada uma média de 160 a 200 litros de água. Além disso, a água também é usada em construções na limpeza e resfriamento de maquinário.

Todo esse uso chega a somar um gasto muito elevado, chegando a cerca de 50% da água potável destinada às áreas urbanas, segundo o comitê temático do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável.

Atualmente, algumas medidas podem ser decisivas para o controle de desperdício de água durante a construção e uso do recurso pós-obra, como a captação de água da chuva e a água de reuso, por exemplo.

 

2. Emissão de gases

A fabricação de materiais e a execução das obras de construção civil também são responsáveis, aproximadamente, por 30% de toda emissão de gases de efeito estufa no mundo, como CO2 e os Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), liberados por materiais sintéticos, como solventes de tinta, vernizes, e outros em revestimentos.

É requisito de uma construção sustentável monitorar estas emissões, além de adotar estratégias para minimizar essa emissão e seus impactos durante o período de obras. Uma das maneiras é pela diminuição do uso de cimento, responsável por 5% da emissão de CO2 global.

Além disso, uma construção sustentável deve prever a diminuição das emissões no funcionamento das edificações, por exemplo, com a adoção de energia alternativa.

 

3. Eficiência energética

Segundo o Estudo de Demanda de Energia da Empresa de Pesquisa Energética, além do gasto de energia durante a construção, o consumo energético das edificações já em funcionamento representa cerca de 47% do consumo de eletricidade do país.

Uma das maneiras de melhorar a eficiência para construções sustentáveis é apostar em energia alternativa, como, por exemplo, a fotovoltaica, que deve crescer e passar a representar de 8% a 13% da produção de eletricidade mundial em cerca de 15 anos.

Outras formas de transformar o uso de energia com vistas à sustentabilidade é por meio do emprego da arquitetura sustentável, com o aproveitamento de luz e ventilação natural, a utilização de vidros duplos e até a implementação de telhados verdes para manter a temperatura interna, e que podem representar uma redução entre 30% e 50% dos gastos em eletricidade para climatização de residências.

 

Certificação para construção sustentável

Edifício sustentável e construção sustentável, você já deve ter visto estes termos em muitas das construções atuais. Você sabia que existem formas de comprovar se o edifício realmente segue padrões sustentáveis?

Na construção civil, para atestar o comprometimento de uma edificação com a sustentabilidade, existem diversas certificações. Atualmente, a principal é a internacional LEED (Leadership in Energy  and Environmental Design), que possui oito tipos de selos de acordo com a natureza do empreendimento: para construções novas ou grandes projetos de renovação, desenvolvimento de bairros, projetos de edifícios, lojas de varejo, unidades de saúde, manutenção de edifícios existentes, escolas e edifícios comerciais. Os requisitos para se obter o selo são o uso racional de água, eficiência energética, gestão de resíduos, qualidade de ambientes internos, espaço sustentável, inovação tecnológica e atendimento às necessidades locais.

Outra certificação é a alemã DGNB (Deutsche Gesellschaft für Nachhaltiges Bauen), voltada para construção ou reforma de prédios públicos, comerciais ou residenciais, além de loteamentos e bairros. Por ela, são avaliadas a qualidade ecológica, econômica, sociocultural, técnica, funcional e de localização da construção.

Já a pioneira BREEAM (Building Research Environmental Assessment Method), do Reino Unido, prevê certificação a partir de critérios como gestão da construção, consumo de energia, uso do terreno e inovação.

 

Incentivos para a construção sustentável

Aprovado em maio  deste ano pela Câmara de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado, o Projeto de Lei 252/2015 prevê incentivos fiscais para construções que levem em consideração a melhoria do conforto térmico, redução no consumo de água e maior eficiência energética.

Além desta iniciativa, algumas cidades, como Guarulhos, São José dos Campos, Maringá, Salvador e Manaus, adotaram medidas de incentivo de construções sustentáveis por meio do desconto percentual no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano. É o IPTU Verde. O incentivo varia de acordo com a cidade, mas, no geral, considera edificações que adotem sistemas de captação de água de chuva, preservação de áreas permeáveis maiores do que as exigidas por lei, além da instalação de placas solares. Conheça o programa IPTU Verde da cidade de Salvador.

O setor da construção civil é fundamental para o desenvolvimento do país e a demanda por edificações  baseadas no conceito de construção sustentável representa um grande passo pela sustentabilidade no mundo. Atualmente, o Brasil é o 4º país entre os que mais desenvolvem construções sustentáveis e deve se tornar ainda mais protagonista neste cenário, já que a rentabilidade deste investimento vem se mostrando cada vez mais efetiva, mesmo que o retorno se dê ao longo prazo.

Quer saber mais sobre como tornar sua construção sustentável? Assine a nossa newsletter!

Carlos Bouhid
Diretor Administrativo da Dusol Engenharia Sustentável.

Compartilhe:

Posts Relacionados

Voltar ao topo