O que esperar do próximo governo sobre energia renovável?

A energia renovável é um tema que precisa estar na pauta do próximo governo, e listamos 4 pontos para você ficar atento.

As eleições estão se aproximando e o tema da energia renovável precisa ser levado em consideração por nós, eleitores.

Afinal de contas, o custo de vida no Brasil está alto e, por um lado, temos várias oportunidades de mudar a nossa realidade pelo fato sermos um país riquíssimo em recursos naturais, que podem ser aproveitados para reduzir as despesas e fazer girar a economia, sem explorar fontes poluentes.

Portanto, no post de hoje, listamos quatro pontos que você pode perguntar aos seus candidatos em relação às suas opiniões e propostas, antes de decidir o seu voto.

Então, vamos lá: o que esperar do próximo governo em relação à energia renovável no Brasil?

1. Que o governo priorize as fontes de energia renovável para atrair investimentos

Bom, é fato que a matriz energética brasileira tem atraído mais investimentos em relação às fontes renováveis de energia, e isso é excelente para que a nossa economia volte a se fortalecer – mas ainda precisamos caminhar.

Isso porque, segundo dados divulgados pelo Estado de Minas, estima-se que os investimentos nessas fontes deverão chegar a US$ 237 bilhões no ano de 2040 — mas, em, 2017, foram investidos apenas US$ 6,2 bilhões. Ou seja, há muito o que se percorrer em nosso país.

Atualmente, do total de energia elétrica gerada no Brasil, apenas 6% vêm de fontes solares e eólicas. Então, o que o próximo governo pretende fazer para saltar esse número para 43% e fazer jus às estimativas divulgadas?

2. Que incentive a redução de preços para que pessoas físicas e jurídicas instalem energia solar

Se o próximo governo estiver preocupado e comprometido em aumentar a participação da energia renovável na matriz energética brasileira, então, o que ele fará para melhorar e ampliar o acesso das pessoas físicas e pequenos empresários à energia solar?

Bom, é fato que, nos últimos dois anos, o custo da instalação do sistema fotovoltaico teve uma queda de 50%, e a tendência é que continue a diminuir. Além disso, já existem várias linhas de crédito para pessoas físicas, jurídicas e produtores rurais para esse investimento.

Mas o nosso país precisa de mais. Mesmo que os juros, de forma geral, sejam menores do que o de alguns tipos de financiamento (a exemplo do Programa Goiás Solar), é fato que, lá fora, as tarifas são bem menores – mesmo que os índices de radiação solar também sejam. Então, se o nosso potencial solar é tão grande, o que o próximo governo pretende fazer para aumentar o acesso dessa alternativa de energia aos brasileiros, em tempos de secas cada vez mais longas?

3. Que o governo trabalhe durante o mandato para cumprir o Acordo de Paris

Será que os seus candidatos se lembram do Acordo de Paris? Em 2016, o governo entregou um compromisso oficial às Nações Unidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa – e um dos compromissos é, justamente, aumentar a participação da energia renovável.

Vamos lembrar dos principais pontos:

  • Reflorestamento e restauração de 12 milhões de hectares de florestas;
  • Aumentar a participação em 45% do uso de energia renovável na matriz energética até 2030, o que inclui a energia solar, a eólica e a biomassa;
  • Reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa em 37%, em 2025, e em 47% em 2030.

Ficou acordado, ainda, que esse compromisso do governo brasileiro será revisado em 5 anos; ou seja, em 2021 — durante o próximo mandato. O que os seus candidatos pretendem fazer para que o país cumpra com seu compromisso ambiental?

4. Que o governo prepare (realmente) o terreno para a expansão dos carros elétricos no Brasil

Estimular o uso de carros elétricos significa, na prática, depender cada vez menos de combustíveis fósseis, como o petróleo. E no final de 2017, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) anunciou em sua Resolução 717 que passará a regulamentar os carros elétricos nos próximos anos.

Mas ainda estamos muito lentos nesse assunto. Estima-se que, juntamente com os veículos hídricos, os elétricos representem apenas 0,2% do total de novos veículos que foram licenciados no país em 2018.

De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), existem um pouco mais de 7 mil veículos híbridos e elétricos em circulação no país. Esses números são muito tímidos perto da frota de 312 mil veículos na China e de 100 mil veículos circulando nos Estados Unidos, segundo dados da Accenture Strategy e da FGV Energia.

Como você sabe, falta muita estrutura em nosso país para receber mais carros elétricos. Para ter uma ideia, a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) estima que haja apenas 80 postos elétricos de abastecimento de carros no Brasil.

Isso sem falar na estrutura das nossas estradas e na falta de estímulo para a fabricação em larga escala, em relação aos impostos e tributos, que sobrecarregam montadoras e, mais ainda, o bolso dos consumidores.

E então, o que fazer? O que esperar do próximo governo (e de todos os próximos) em relação à sustentabilidade do nosso país?

Não deixe para perguntar amanhã. Questione, pesquise e, principalmente, ajude a fiscalizar os atos dos nossos representantes políticos em relação ao uso da energia renovável no Brasil.

O que você acha sobre esse assunto? Deixe o seu comentário e aproveite para conferir o panorama da energia solar no mundo sob a ótica ambiental. Até a próxima!

Carlos Bouhid
Diretor Administrativo da Dusol Engenharia Sustentável.

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