Blog da Dusol

26
dez

Já falamos algumas vezes aqui no blog dos cuidados que devemos ter em selecionar os fornecedores do sistema de energia solar. Dentre esses cuidados, escolher corretamente o tipo e fabricante do inversor solar talvez seja o principal.

De forma simplificada, o papel principal do inversor é converter a energia elétrica gerada pelos painéis fotovoltaicos, em corrente contínua para alternada – o tipo de corrente que utilizamos para alimentar a grande maioria dos equipamentos eletroeletrônicos.

Além da conversão, como papéis secundários, o inversor solar possui dispositivos internos de proteção, que garantem a segurança do sistema, e são responsáveis por armazenar dados de geração da usina, que, em muitos modelos, são acompanhados em tempo real, via wi-fi.

Pode parecer complexo, mas com o guia que preparamos para você, esse processo se tornará bem mais fácil. Vamos lá?

Tipo de inversor

Existem, basicamente, três grandes grupos de inversores fotovoltaicos: on-grid (conectados à rede), off-grid (isolados) e híbridos (une características dos dois anteriores). Hoje, no Brasil, o sistema mais comum é o conectado à rede e, por isso, vamos focar neste grupo.

Por ter essa característica, os inversores on-grid são um pouco mais complexos que seus irmãos. Tecnicamente, enquanto os off-grid fornecem tensão ao circuito, oferecem corrente elétrica na forma alternada. No entanto, a principal diferença está na segurança de operação dos equipamentos.

É obrigatório que esses equipamentos possuam um sistema anti ilhamento, que desconecta automaticamente o inversor da rede quando há interrupção no fornecimento de energia. Isso evita com que aconteçam acidentes e garante a segurança de técnicos, operadores da rede, equipamentos e pessoas em geral.

Dentre os inversores on-grid, podemos classifica-los em:

  • Inversor de string: são utilizados em sistemas de microgeração e em alguns de minigeração. Em alguns países, são chamados de inversores residenciais. Eles têm uma potência nominal de no máximo algumas dezenas de quilowatts;
  • Inversor central: são inversores de maiores potências nominais (acima de 100 kW, via de regra), e utilizados em sistemas de minigeração e sistemas de geração centralizada;
  • Microinversores: são de potências pequenas (no máximo 1000 W) e que podem receber, na maioria dos casos, 2 ou 4 painéis cada. Nos sistemas com microinversores, cada módulo produz energia de forma independente.

Qual o melhor tipo de inversor solar?

A resposta não é direta, vai depender de alguns fatores. Mas, antes dela, vamos explicar um conceito importante para entender as diferenças entre os inversores: o rastreamento de ponto de máxima potência, do inglês, MPPT – Maximum Power Point Tracking.

MPPT

O MPPT varia a tensão de operação do inversor, a fim de que seja extraída a máxima potência dos módulos fotovoltaicos. A maioria dos inversores on-grid possui, pelo menos, um MPPT. No entanto, há diversos modelos com 2 ou até mais rastreadores. Na prática, nesses modelos é como se existisse vários inversores solares dentro de um só, ou seja, cada MPPT representaria um novo inversor. Isso permite que o sistema seja dividido em partes independentes, que podem ter posição, orientação ou inclinação diferentes.

Não é aconselhado que painéis que estejam em telhados diferentes ou orientados a direções distintas sejam conectados à mesma MPPT. Quando se utiliza inversores com mais MPPT’s, ganha-se flexibilidade na instalação do sistema, o que é vantajoso em diversas situações.

Qual tipo escolher?

Tendo em conta o conceito de MPPT, podemos responder à pergunta. Quando há necessidade de a instalação ser realizada em águas distintas no telhado, quando houver uma parte que recebe sombreamento em parte do dia, ou, ainda, sempre que os módulos apresentarem regimes diferentes de geração, é importante que cada sistema seja dividido em strings, conectadas a diferentes MPPT’s.

Se sua instalação será feita em uma só água do telhado, sem sombreamento, o inversor de string é a melhor opção quando se analisa a relação custo/benefício. Ele é mais barato, em relação aos microinversores e, nesse caso, a geração de energia seria similar.

Por outro lado, se a instalação exigir que módulos sejam colocados em posições diferentes, faz-se necessário o uso de um número maior de MPPT’s. Deve-se adotar um inversor com número suficiente para atender essa configuração.

Os inversores de string menores (com menos de 10 kW de potência) não costumam ter mais de 2 MPPT’s. Nos casos em que esse número não for suficiente, os microinversores são a melhor solução, já que eles possuem uma MPPT para cada módulo.

Por fim, os inversores centrais são utilizados em grandes usinas, e, muitas vezes não possuem várias MPPT’s, o que reduz o custo do equipamento. Como grandes usinas são instaladas em regiões não sombreadas, e há espaço suficiente para que a instalação seja feita com orientação e inclinação uniformes, isso não se torna um problema.

Como escolher o inversor ideal para o seu caso?

  1. Escolher o tipo de inversor

Escolher qual o tipo de inversor, como acabamos de ver, é o primeiro passo do processo de escolha. Claro, essa análise deverá ser feita com ajuda de especialistas, que dispõem de ferramentas para analisar a melhor configuração para o sistema.

  1. Potência do inversor

Após o dimensionamento do sistema de energia fotovoltaica, deve ser escolhido um inversor com potência compatível com o sistema calculado. Não necessariamente, uma potência de módulos de 3 kWp vai exigir um inversor de potência 3 kW.

Na verdade, é permitido pelos fabricantes que seja instalada uma potência de módulos superior à potência nominal do inversor. Em geral, permite-se uma potência instalada de módulos de até 30% a mais que a do inversor, a depender do fabricante. Isso faz com o que sistema esteja otimizado e possa ter melhor performance a um menor custo. Essa análise também deverá ser feita pela empresa que vai instalar o sistema.

Outro fator que deve ser observado, além da potência nominal, é a eficiência do inversor, que mede o quão eficiente é o equipamento ao converter corrente contínua em alternada. Valores acima de 95% são aceitos, com os melhores inversores chegando a até 98% ou mais.

  1. Número de MPPT’s

Caso se opte por um inversor de string, é de suma importância observar o número de MPPT’s. Como vimos, há casos em que se exige mais de uma MPPT. Como esses inversores podem ser mais caros, muitas vezes, encontramos pessoas ou empresas que optam em não os utilizar. Nesses casos, a geração de energia do sistema será menor que a esperada, e a economia saíra caro!

  1. Sistema de monitoramento

Já vimos aqui no blog a importância da manutenção preventiva de sua usina e, também, que o monitoramento em tempo real é parte fundamental do processo. Via de regra, esse sistema é interno ao inversor, por isso, opte por inversores que o possuam e que tenham aplicativos para Android ou IOS.

Caso seu inversor não tenha esse sistema, é possível utilizar um equipamento acoplado a ele, que fará o mesmo papel – o importante é ter os dados de geração em mãos e em tempo real.

  1. Fabricante e tempo de garantia

Por fim, e talvez mais importante, saiba qual é a marca que você está adquirindo. O inversor é de extrema importância, e ter um equipamento de qualidade é fundamental. Analise o histórico do fabricante, há quanto tempo a empresa existe e desde quando está no Brasil.

Outro fator importante é o tempo de garantia. Inversores de string costumam ter entre 5 e 7 anos de garantia. Já os microinversores têm garantia que superam 20 anos. Tão importante quanto esse tempo é saber se a empresa tem assistência técnica no Brasil e se a garantia realmente funciona.

Certificado Inmetro

No Brasil, foi implementado o PBE Fotovoltaico, que, em caráter compulsório, estabeleceu critérios para os inversores de energia solar fotovoltaica, através da Portaria Inmetro nº 357/2014.

É possível consultar a lista de inversores com certificação do Inmetro no site do instituto. No entanto, a maioria ainda não está na lista, pois há um grande atraso por parte dos laboratórios certificados.

Inversores chineses?

Muito se fala dos inversores chineses, e que eles não têm a mesma qualidade dos europeus. Na verdade, existem bons inversores sendo produzidos em todo o mundo, então, mais do que o país de origem, deve-se analisar as características do equipamento e fabricante. Inclusive, diversas companhias de outros países, produzem seus equipamentos na China e alguns equipamentos de fabricantes chineses estão em listas europeias e americanas de melhores inversores.

E então, ficou com alguma dúvida sobre os tipos de inversores e qual o mais indicado para o seu caso? Escreva pra gente pelos comentários e até a próxima.

 

 

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