Blog da Dusol

25
fev

Terminou na segunda quinzena de fevereiro o horário de verão do ciclo 2018/2019 para os 10 Estados das regiões Centro-Oeste, Sul, Sudeste e o Distrito Federal.

Mas será que essa rotina anual está valendo a pena para a economia de energia nesse período? Afinal de contas, essa é a finalidade do horário de verão, que foi criado em 1931, mas adotado permanentemente em 2008.

Bom, para analisarmos essa situação, fizemos um apanhado dos últimos anos sobre a economia promovida pelo horário de verão para você tirar as suas conclusões. A própria falta de divulgação de dados já é um indício de que está na hora de rever a adoção dessa medida. Acompanhe!

Horário de verão: economia em queda e falta de dados

Desde 2016, o Ministério das Minas e Energia (MME) não divulga os dados oficiais sobre a economia de energia dos ciclos dos horários de verão.

O último dado apontou que, no ciclo 2016/2017, a economia gerada foi de 2.185 MW (megawatts), o equivalente a R$ 145 milhões.

Aliás, entre 2013 e 2016, os dados divulgados revelaram uma queda significativa na economia durante o horário de verão nesse período: mais precisamente de 60,6% – de R$ 405 milhões para R$ 159,5 milhões.

É muita coisa. Tanto que, no ano seguinte, em 2017, houve uma grande discussão sobre a possibilidade de extinção do horário de verão, pois de acordo com relatórios de especialistas entregues ao governo, a medida deixou de se justificar pelo setor elétrico.

Além disso, naquele mesmo ano, houve um crescimento de 0,8% no consumo de eletricidade, de acordo com o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) do MME, que projetou um aumento médio na demanda de 3,9% até 2022.

E quanto ao mais recente ciclo, o horário de verão 2018/2019?

Mesmo sem dados oficiais divulgados, estudos realizados em 2018 pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) e pelo MME relataram que o horário de verão trouxe resultados próximos da neutralidade em termos de economia para o sistema elétrico.

O portal de notícias Correio Braziliense, por exemplo, classificou como “pífia” o resultado divulgado pela Companhia Energética de Brasília (CEB): nos horários de pico do período, a economia média ficou entre 2,7% na cidade.

Mas, por que será que essa economia no horário de verão, que antes era realmente expressiva e justificável, vem diminuindo ao ponto de o governo estudar rever a medida?

Aliás, outros países também estão em processo de reavaliação, como é o caso da União Europeia, que chegou a realizar uma consulta pública em 2018 para discutir as vantagens e as desvantagens do horário de verão.

Fatores que explicam a baixa economia de energia no horário de verão

Listamos três principais fatores que podem explicar a diminuição da economia de energia durante o horário de verão nos últimos anos:

A mudança nos hábitos da sociedade

Antes existiam os chamados horários de pico, que se concentravam entre 18h e 20h – período que gerava economia durante o verão com o adiantamento em 1 hora nos relógios.

As pessoas saíam de seus trabalhos ainda com a luz do dia e, assim, retardavam o consumo de aparelhos e produtos elétricos, como as lâmpadas, evitando sobrecarga no sistema – sem falar que comércio e indústria diminuíam seus volumes de produção.

Mas com novos padrões de trabalho em vigor, esses horários de pico se dissiparam – aliás, já existem picos de consumo sendo medidos às 15h. E, junto com um produto em especial, a demanda por eletricidade vem aumentado.

A popularização do ar condicionado

O que antes era um produto de luxo, agora, o ar condicionado se tornou popular – e até indispensável – em várias cidades brasileiras.

Se o horário de pico migrou para o meio da tarde, podemos concluir que é nessa hora em que os brasileiros consomem mais eletricidade – por conta do ar condicionado que permanece durante todo o dia ligado em escritórios, casas, comércios e indústrias, independentemente de seus tamanhos.

Então, podemos levar em consideração outro fator: a economia de energia não se justifica mais pelo próprio horário de pico, mas, sim, pela influência da temperatura ambiente. E se a temperatura média vem aumentando, a demanda por eletricidade também. Então, pode não fazer mais sentido adiantarmos o relógio em 1 hora, já que demandamos mais consumo durante o dia todo.

O avanço tecnológico em prol de produtos mais eficientes

Ok, não temos mais horários de pico que, por si só, justifiquem o horário de verão. Mas se a demanda por eletricidade vem aumentando, por que a demanda por esse horário continua não sendo tão justificável?

Por conta dos avanços tecnológicos. Se, por um lado, estudos estão demonstrando que não existem mais impactos significativos na economia do setor elétrico do país, por outro, nós, consumidores, também não estamos sentindo, e por alguns motivos:

  • Hoje não temos mais lâmpadas incandescentes em casa e no escritório, mas fluorescentes e até lâmpadas LED, que têm um menor consumo e uma maior vida útil.
  • Hoje, optamos por levar para casa eletrodomésticos com Selo A de economia, o que garante a redução do consumo mensal.
  • Com o barateamento do preço da energia solar, cada vez mais consumidores residenciais, comerciais e produtores rurais vêm investindo nessa tecnologia, que permite reduzir em até 95% a conta de energia, e consequentemente, a sobrecarga do sistema elétrico da distribuidora.

E então, o que você acha? Em sua opinião, o horário de verão continua sendo justificável ou está na hora de o governo rever essa medida?

Aproveite a discussão e conheça as melhores soluções para você fazer a sua parte e reduzir o consumo de energia. Até a próxima!

 

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